É das perguntas que mais recebemos ao telefone, logo a seguir a “quanto custa”: o que é que eu visto? E quase sempre vem com uma preocupação escondida — a ideia de que é preciso ir a uma loja da especialidade antes de pôr os pés no Centro Hípico da Quinta da Marinha.

Não é. Para a primeira aula de equitação, praticamente tudo o que faz falta já existe em casa. O capacete e o colete de protecção ficam por conta da escola. O resto é uma questão de escolher bem entre o que já está no armário.

Este guia é para quem vive em Cascais, Oeiras, Sintra ou Lisboa e vai montar pela primeira vez — ou vai levar um filho. É prático, peça a peça, e tem em conta uma coisa que os guias genéricos esquecem: o tempo na Quinta da Marinha, entre o pinhal e o mar, não é o mesmo que no centro de Lisboa.


O que a escola fornece (e não precisa de trazer)

Antes de pensar no que vestir, convém saber o que já está garantido.

  • Capacete de equitação — obrigatório em todas as aulas e passeios, e fornecido pela escola em vários tamanhos.
  • Colete de protecção — disponível nas instalações, sobretudo para crianças e para quem está a começar.
  • Todo o material do cavalo — sela, cabeçada, mantas. O aluno não traz nada disto, nem nas primeiras aulas nem mais tarde, enquanto montar cavalos da escola.

Quem já tiver um capacete de equitação próprio, homologado e em bom estado, pode trazê-lo. Mas não há qualquer vantagem em comprar um antes da primeira aula. Um capacete tem de ser experimentado na cabeça certa, e isso faz-se melhor depois de se perceber se a equitação é para continuar.


As calças: a peça que mais importa

Se só houver tempo para pensar numa coisa, que seja nas calças. É a peça que está em contacto com a sela durante toda a aula, e é a que mais se nota quando está mal escolhida.

O que funciona

Leggings grossas ou calças de desporto justas são a melhor opção para uma primeira aula. Acompanham o movimento, não fazem pregas e não roçam no interior do joelho — que é exactamente onde a perna encosta à sela.

Calças de fato de treino também servem, desde que não sejam muito largas em baixo. Um tecido solto na perna tende a enrolar-se nos loros (as correias que seguram o estribo) e a subir pela canela.

O que evitar

Calças de ganga são a escolha mais comum e a mais desconfortável. As costuras interiores são grossas e, depois de meia hora a trabalhar a passo e a trote, marcam a pele. Não é perigoso, mas é das principais razões por que alguém sai da primeira aula com a sensação de que “custou mais do que devia”.

Calções e saias estão fora de questão. A perna tem de estar coberta até ao tornozelo, para proteger a pele do contacto com a sela e com o flanco do cavalo.

Calças muito finas ou transparentes também não são boa ideia: a fricção com a sela é constante e o tecido desgasta-se mais depressa do que se espera.


O calçado: a regra que não se discute

O calçado é a única parte da roupa onde há uma regra de segurança clara. O pé entra no estribo, e o estribo tem de conseguir soltar-se do pé se algo correr mal.

O que procurar

  • Sapato fechado — sem excepção.
  • Sola relativamente lisa — sem pitons nem relevo muito agressivo, que podem prender no estribo.
  • Um pequeno tacão — é o ideal, porque impede o pé de escorregar para a frente e atravessar o estribo. Umas botas de chuva de cano baixo, umas botas de caminhada simples ou umas botas de trabalho com tacão discreto servem perfeitamente.

Umas sapatilhas de sola lisa são aceitáveis para a primeira aula, e é isso que muitos alunos trazem. Não são o ideal a longo prazo, mas não impedem ninguém de começar.

O que deixar em casa

  • Sandálias, chinelos, sabrinas ou qualquer calçado aberto.
  • Botas de caminhada com sola muito grossa e dentada.
  • Sapatilhas de corrida com sola muito larga ou almofadada — dificultam sentir o estribo e podem ficar presas.
  • Saltos altos de qualquer tipo.

Há ainda um detalhe que se esquece: o picadeiro e a zona das boxes têm areia, terra e, em dias húmidos, lama. O calçado vai sujar-se. Não é o dia para estrear sapatilhas brancas.


Em cima: camadas, não volume

Na parte de cima do corpo a liberdade é maior, mas há um princípio que ajuda: várias camadas finas em vez de uma peça grossa.

A razão é simples. Montar a cavalo aquece mais do que parece. Nos primeiros dez minutos, a passo, o frio nota-se. Depois de algumas voltas a trote, é frequente querer tirar o casaco. Com camadas, isso resolve-se em segundos; com um casaco grosso, fica-se a transpirar ou a tremer.

Uma boa combinação para a maior parte do ano:

  1. T-shirt ou camisola técnica que deixe transpirar.
  2. Sweatshirt ou polar fino por cima.
  3. Casaco corta-vento curto, que não passe muito abaixo da cintura.

O que evitar em cima

Casacos compridos atrapalham o assento e podem assustar o cavalo se abanarem com o vento. Capuzes largos e cachecóis são desaconselhados: interferem com o capacete e podem prender. Roupa muito larga ou com cordões pendurados também não é boa ideia, pelo mesmo motivo.


O tempo em Cascais: o que vestir em cada estação

A Quinta da Marinha tem um microclima próprio. Fica entre o pinhal e a costa do Guincho, o que significa mais vento e, muitas vezes, mais fresco do que em Lisboa à mesma hora. Quem sai do escritório no centro com 22 graus pode encontrar 18 e vento de nortada no picadeiro.

Outono (Setembro a Novembro)

É a melhor altura para começar, e também a mais fácil em termos de roupa. De manhã e ao fim da tarde, uma camisola leve e um corta-vento chegam. Ao meio-dia, muitas vezes basta uma t-shirt. Convém trazer sempre uma camada extra no carro, porque a temperatura cai rapidamente quando o sol se põe.

Inverno (Dezembro a Fevereiro)

O Inverno em Cascais é suave, mas húmido e ventoso. Aqui as camadas fazem toda a diferença: uma camisola térmica por baixo, um polar e um corta-vento impermeável por cima. Luvas finas — de ciclismo, de corrida ou de jardinagem sem forro grosso — protegem as mãos do frio e da fricção das rédeas sem perder sensibilidade.

Umas meias mais grossas e altas também ajudam — os pés, parados no estribo, são dos primeiros a arrefecer.

Primavera (Março a Maio)

A estação mais imprevisível. Sol a uma hora, aguaceiro na seguinte. O corta-vento impermeável continua a ser a peça mais útil. Também é a altura em que o chão tende a estar mais enlameado, por isso o calçado deve ser algo que não faça mal sujar.

Verão (Junho a Agosto)

No Verão, o erro mais comum é trocar as calças compridas por calções. Não se pode: as pernas têm de estar cobertas mesmo com calor. A solução são leggings finas ou calças técnicas respiráveis. Em cima, t-shirt de tecido técnico, protector solar e água. As aulas de manhã cedo ou ao fim da tarde são as mais confortáveis — a escola funciona das 08h00 às 20h00, o que dá margem para fugir às horas de maior calor.


Pormenores que fazem diferença

Há pequenas coisas que não se pensam e que, no picadeiro, contam.

  • Cabelo comprido apanhado em baixo, na nuca, num rabo-de-cavalo baixo ou numa trança. Um carrapito no topo da cabeça impede o capacete de assentar bem.
  • Sem brincos compridos, pulseiras ou anéis grandes. Podem prender nas rédeas ou na crina.
  • Telemóvel fora dos bolsos. Se cair durante a aula, pode assustar o cavalo e partir-se. Fica no carro ou com quem acompanha.
  • Óculos graduados não são problema. Óculos de sol também não, desde que fiquem bem presos.
  • Uma garrafa de água para depois da aula. Mesmo no Outono, perde-se mais líquido do que se imagina.

E as crianças?

As regras são as mesmas, com duas atenções extra.

A primeira é o conforto absoluto. Uma criança com uma costura a incomodar, frio nas mãos ou uns ténis apertados vai pensar nisso durante a aula inteira em vez de pensar no cavalo. Leggings, ténis de sola lisa e uma camisola com fecho que se tire com facilidade resolvem quase tudo.

A segunda é a roupa de muda. As crianças mexem nos cavalos, escovam, ajudam a arrumar. Vão sujar-se, e é bom que isso não seja um problema. Uma muda de roupa no carro poupa discussões no caminho para casa.

O colete de protecção é fornecido pela escola e os monitores ajustam-no antes de a criança montar. Para mais contexto sobre idades e formatos, pode ler o nosso guia sobre a idade mínima para começar equitação.


Quando vale a pena comprar roupa própria

A resposta honesta é: depois de umas quatro a seis aulas, quando já se sabe que se vai continuar.

Nessa altura, faz sentido pensar por esta ordem:

  1. Botas ou botins de equitação — são o investimento que mais melhora o conforto e a segurança do pé no estribo.
  2. Calças de montar (jodhpurs ou breeches) — têm reforços no interior do joelho e não têm costuras nos sítios onde a perna encosta.
  3. Luvas de equitação — finas, com boa aderência às rédeas.
  4. Capacete próprio — só quando se monta com regularidade, e sempre experimentado presencialmente.

Não há necessidade de comprar tudo de uma vez nem de ir para as marcas mais caras. Para uma explicação detalhada de cada peça, o que procurar e onde comprar em Portugal, veja o nosso guia de equipamentos essenciais para equitação.


A primeira aula, na prática

Com a roupa resolvida, a primeira aula é mais simples do que se imagina. A opção habitual é uma aula de iniciante de 30 minutos (40€), que dá para conhecer o cavalo, aprender a montar e desmontar, e fazer os primeiros exercícios a passo com o monitor sempre ao lado. Todos os valores e planos mensais estão na tabela de preços.

As aulas são dadas por um monitor certificado pela Federação Equestre Portuguesa desde 1997, em português, inglês ou francês. Para perceber o que acontece minuto a minuto, o artigo sobre montar a cavalo pela primeira vez descreve a aula do princípio ao fim. E os formatos disponíveis — grupo, particular, crianças e adultos — estão na página das aulas de equitação.


Perguntas frequentes sobre o que vestir para montar a cavalo

Posso montar de calças de ganga na primeira aula? Pode, e não é perigoso. Mas é desconfortável: as costuras interiores marcam a pele ao fim de pouco tempo. Se houver alternativa, leggings grossas ou calças de desporto justas são muito melhores.

Posso ir de ténis? Sim, desde que tenham a sola relativamente lisa e sejam fechados. Evite sapatilhas de corrida com sola muito larga ou dentada. Se tiver umas botas simples com um pequeno tacão, ainda melhor.

Preciso de levar capacete? Não. A escola fornece capacetes em vários tamanhos, e também coletes de protecção. Se tiver um capacete de equitação próprio e homologado, pode trazê-lo.

E se estiver a chover no dia da aula? Chuva fraca não costuma cancelar a aula. Traga um casaco impermeável curto e calçado que possa sujar. Com chuva forte pode haver ajustes à aula. Em caso de dúvida, basta ligar para o +351 918 101 733.

O que devo levar para uma criança na primeira aula? Leggings ou calças de desporto, ténis fechados de sola lisa, uma camisola fácil de tirar, água e uma muda de roupa. O capacete e o colete ficam por conta da escola.

Posso usar luvas normais? Sim. Luvas finas de ciclismo, corrida ou jardinagem funcionam bem. Evite luvas de lã grossas ou de esqui, que tiram a sensibilidade nas rédeas e escorregam.


Próximo passo

A roupa está resolvida com o que já existe em casa. O que falta é marcar a aula.

Contactar a escola para marcar a primeira aula na Quinta da Marinha → Ver a tabela de preços completaConhecer as aulas de equitação